Tenho visto muitas pessoas dizerem com propriedade de sexo e que fazem sexo.
Algumas contam vantagem com a quantidade de transas que teve aqui ou acolá, se preocupando mais com quantidade que com qualidade.
Um sociólogo, Zygmunt Bauman, tece seus argumentos sobre a sociedade atual nos fazendo perceber que temos nos relacionado com as pessoas igualmente nos relacionamos com os objetos que consumimos.
São relações "líquidas" onde tornamos @ outr@ nosso objeto de uso, de desejo momentâneo, como se fosse algo material e não uma pessoa.
Nos esquecemos então do que significa ser uma pessoa?
O ser humano é um um conjunto de características, histórias, culturas, sentimentos e ideias. Possui uma corporalidade e subjetividade.
Não é um objeto.
É um Ser.
Por que então temos nos tratado como "coisas"?
No sexo, pra satisfazer nosso desejo estabelecemos uma relação com outra pessoa ou objeto.
Natural sentirmos prazer por meio de estímulos com outrem. Porém, fazer do outr@ somente uma via de acesso ao prazer é uma violência.
Não se preocupar com o que a outra pessoa sente ou deseja, como se fosse uma coisa é absurdamente arcaico e sórdido.
Fico pensando no desperdício que é tornar uma relação sexual, que pode ser via de sentimentos e boas energias, em meros estímulos e secreções.
Já é tão difícil encontrar uma pessoa legal pra conversar e partilhar saberes, muito mais pra se ir pra cama, algo que hoje ficou tão banal.
Importante refletirmos que um encontro de corpos não é somente uma junção de fluídos, mas principalmente uma troca de sensações, uma partilha de universos, uma conexão de almas...
Logo suscita uma intimidade, e esta para existir necessita de tempo, cumplicidade e respeito entre @s envolvid@s... Algo que não se estabelece numa única e rápida trepada.
Será por isso que reclamamos tanto da solidão e desilusão sofridas na relações relâmpago que ocorrem atualmente?
Temos sido rasos/as, fugidios, superficiais... Criamos cápsulas impermeáveis ao nosso redor.
Quem foge disso, quem se deixa ser intens@, abert@, se fere e, logo, se lacra.
Porque hoje não temos nos tocado. E por isso terminamos nos ferindo quando encostamos no/a outro/a.
Nós temos aprendido a ferir e a usar as pessoas, mas não abrimos espaço para uma via sincera de sentimentos. Temos feito tão pouco isso que perdemos a prática. E nos assustamos quando alguém chega até nós e diz: estou namorando ou vou me casar. A primeira coisa que pensamos é que se está tendo uma atitude de burrice, loucura ou muita coragem.
Tudo que sei de minhas percepções e vivências é que somos plenamente capazes, ou pelo menos podemos ser, se assim quisermos, de estabelecer vias de boas energias e sentimentos... Onde tocar a outra pessoa se torne motivo de crescimento e alegria, respeito e ternura.
Afinal, se não me engano, somos seres de sensações.
